Áudios divulgados indicam omissão e podem anular delações da JBS

setembro 05, 2017



Áudios divulgados pelo portal da revista "Veja", nesta terça-feira (5), podem anular as delações premiadas feitas pela JBS. A revista teve acesso à gravação das conversas entre os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, que foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) na última quinta-feira (31/08).

O conteúdo da gravação pode servir como prova para cassar as delações do dono da JBS, Joesley Batista e do diretor da empresa, Ricardo Saud, pois, segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, indica a possibilidade de omissão durante a negociação do acordo.


O delatores citam o ex-procurador Marcelo Miller e também membros da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal (STF), além da empreiteira Odebrecht. No diálogo, os dois conversam sobre como poderiam se aproximar de Rodrigo Janot através de Miller. 

“Eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo… nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot… eu acho… é o que falei com a Fernanda [possivelmente Fernanda Tórtima, advogada]… nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão… Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos dar o último… vai ser quem vai bater o prego da tampa”, diz Joesley Batista em um dos trechos. “Nós fomos intensos pra fazer, temos que ser intensos pra terminar”, completa o empresário. 

De acordo com um dos trechos da gravação, a maneira de chegar até Janot seria falando a "língua deles", chamando a todos de "bandido".

“Cara, eu vou te contar um negócio, sério mesmo. Nós somos do serviço, né? (A gente) vai acabar virando amigo desse Ministério Público, você vai ver. Nóis vai virar amigo desse Janot. Nóis vai virar funcionário desse Janot. (risos). Nós vai falar a língua deles. Você sabe o que que é?”, questiona Joesley à Saud. “A língua… domina o país… dominar o país”, responde Saud. Joesley então completa: “Você quer conquistar o Marcelo? Você já achou o jeito. É só começar a chamar esse povo de bandido. 'Esses vagabundo bandido', assim”.

Os áudios foram gravados acidentalmente pelos próprios delatores. Na primeira parte, inclusive, Saud questiona se Joesley estava gravando a conversa entre os dois. "Cê tá gravando ainda aí?".

Delação premiada 

Nesta segunda-feira (4), o procurador geral da República, Rodrigo Janot, fez um pronunciamento para afirmar que o acordo de delação com os executivos da JBS, incluindo os irmãos Joesley e Wesley Batista, está sendo revisado e poderá ser anulado. Ele afirmou que áudios de "conteúdo grave, gravíssimo" chegaram ao conhecimento do Ministério Público Federal (MPF) na semana passada, indicando possibilidade de omissão. 

“Determinei hoje (4) a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações sobre prática de crimes no processo de negociação para assinatura do acordo de colaboração premiada no caso JBS”, afirmou. "Se ficar provada qualquer ilicitude o acordo de colaboração premiada será reincidido", acrescenta Janot.

Apesar da possibilidade de anular o acordo com a JBS, Janot defendeu a delação premiada como instrumento para investigações e que deve ser preservado. De acordo com Janot, se os executivos da JBS erraram, deverão pagar por isso, mas "não desqualificará o instituto [da delação premiada]. A delação dos empresários é peça fundamental no inquérito contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB), acusado de corrupção passiva e obstrução de Justiça.

Com informações do Correio

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