PF cumpre mandados em operação contra desvio de verbas públicas em Salvador, Lauro de Freitas e Santo Amaro

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A  Polícia  Federal  e  o  Ministério  Público  do  Estado  da  Bahia deflagaram uma operação na manhã  desta  quinta-feira (6) e desmantelaram mais um esquema  criminoso  de  desvio  de verbas públicas,  fraudes à  licitação, corrupção e  lavagem  de dinheiro. Pouco mais de R$ 38 milhões em bens dos investigados foram bloqueados para ressarcir a União.  

A operação, que é continuação das investigações da Operação Adsumus, contou 40 policiais Federais que cumpriram oito mandados de busca e apreensão e sete mandados  de  condução  coercitiva  nos  municípios  de  Salvador,  Lauro  de Freitas e Santo Amaro,  todos na  Bahia. A Adsumus está em sua quinta fase.  

O empresário e ex-secretário de Saúde de Santo Amaro, Marcelo Otero, não foi localizado pela PF. Ele é alvo de um mandado de condução coercitiva e acusado de integrar o esquema de corrupção instalado na gestão do ex-prefeito Ricardo Machado (PT). 


Otero era sócio de uma empresa de entretenimento, responsável por diversos eventos investigados na operação em Santo . “As apurações apontam que houve desvio de recursos em festas em Santo Amaro. Ele contratou sem licitação pelo menos R$ 3 milhões com a prefeitura”, declarou o promotor Aroldo Pereira, representante do MPE em Santo Amaro.                      

Quem também é alvo de mandado de condução coercitiva é o ex-secretário de Administração, Desenvolvimento, Obras e Serviços, Luís Eduardo Pacheco Alves, que não foi localizado.

“O advogado de cada um informou que eles serão apresentados entre hoje e amanhã, prazo dado pela Polícia Federal”, declarou a delegada da Luciana Matutino, chefe da Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio Financeiros da PF. Caso não compareçam, as prisões preventivas serão solicitadas à Justiça.   

O ex-vice prefeito Leonardo Pacheco (PSB)  é outro alvo dos mandados de condução coercitiva. Ele também não foi localizado. O núcleo político investigado nesta fase é composto por Machado, Otero, Luís Pacheco Alves e Leonardo Pacheco, sendo que nenhum foi encontrado pela PF.

Fase
A operação Adsumus, iniciada em julho de 2016, deu-se início com as investigações do MPE-BA e hoje está em sua quinta fase. “Nesse momento, a PF entrou no caso porque no decorrer das investigações, descobriu-se o desvio também de verbas federais”, declarou a delegada Luciana Matutino.  

Segundo a PF, o esquema ilícito funcionava a através  de  três  núcleos  empresariais  que  recebiam  da  prefeitura  de  Santo Amaro  valores  para  realizar  obras  públicas,  fornecer  material  de  construção  e alugar  maquinário.   

Além do direcionamento e outras fraudes e irregularidades nos processos licitatórios, verificou-se  que  parte  das  obras  contratadas  era realizada  por  servidores  da  própria  prefeitura,  que  assim  absorvia  parte  dos custos  e  possibilitava  o  desvio  do  dinheiro. 

“O que acontecia. Algumas empresas contratadas não chegavam a executar as obras. O grupo barateava as construções, usando matérias de qualidade inferior, e a mão-de-obra da própria prefeitura”, declarou a delegada Luciana Matutino. 

Para justificar o governo federal, a demorada na construção ou reforma de escolas, por exemplo, o grupo inventava desculpas. “Quando chegava o prazo de vigência da obra, davam inúmeras desculpas, a exemplo, de que choveu muito na região ou que o solo é ruim e assim conseguiam um aditamento”, explicou a delegada.    

Delação
A quinta fase da operação foi inicia com base do depoimento de um dos investigados. “Através de um acordo deleção premiada com o Estado, um dos investigados disse quem depositava os valores para depois serem repassados para o ex-prefeito e outros ocupantes de cargos públicos”, declarou a delegada. 

De acordo com a PF, foi determinado ainda o bloqueio judicial de mais de R$ 38 milhões em valores, imóveis e veículos, com a finalidade de ressarcir a União pelos desvios praticados. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em Salvador e pela Vara Criminal da Comarca de Santo Amaro, e têm por objetivo localizar e apreender provas dos desvios nas contratações públicas, do pagamento de propinas e da lavagem de dinheiro. 

Entre o alvo dos desvios de recursos dos governos estadual e federal, estão a Fundação Cultural da Bahia (Funceb), Sistema Único de Saúde (SUS) e o Ministério das Cidades. Em Salvador, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no condomínio Pituba Ville e em outro imóvel no Rio Vermelho. 

Correio

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