Camaçari: Falta de estrutura familiar e reativação da guarda municipal pautam audiência sobre segurança pública

junho 14, 2017

Foto: Heriks Trabuco


O plenário da Câmara Municipal lotou na Audiência Pública para tratar sobre a segurança pública no município. O evento foi proposto pelo presidente da Casa Legislativa, vereador Oziel (PSDB), com o objetivo de discutir, com agentes de segurança, ações que possam diminuir a criminalidade em Camaçari.

“O assunto é de extrema importância e interesse de toda comunidade. Nós vereadores percebemos que, durante as nossas visitas nos bairros, os moradores sempre apresentaram a necessidade de uma ronda policial na localidade”, comentou o vereador Oziel. O parlamentar também fez um levantamento de dados estatísticos de homicídios registrados nos cinco primeiros meses do ano. Segundo os números, o município registrou uma média de 23 casos mensais.




No andamento da audiência, os palestrantes também apresentaram dados estatísticos registrados por cada instituição policial, nos primeiros meses do ano. Na oportunidade, eles ainda explicaram o trabalho que tem sido realizado no combate à criminalidade. A delegada Thaís Siqueira, titular da 18ª DT, informou que a unidade policial tem 6.600 ocorrências, e apenas quatro delegados e 26 investigadores para gerir esse número. “Apesar da alta demanda, precisamos mostrar trabalho e dedicação. A integração da polícia civil com a militar, CIPE Polo e Rondesp RMS tem feito toda a diferença no combate ao crime no município”, disse.

Ao debater sobre a redução da criminalidade, os palestrantes foram unânimes. Para eles, é preciso ter uma base familiar fortificada, sem esquecer de investir na educação, cultura e no lazer dos jovens. Para Maria Tereza, delegada da 4ª Delegacia de Homicídios, sediada em Camaçari, “a família é o local onde formamos o nosso caráter. Temos a obrigação de educar os nossos filhos. Não é somente responsabilidade da escola, nem tão pouco da polícia. A violência, se não combatida no seu seio, infelizmente, terminará em um homicídio”, comentou. “Se os pais não têm o controle dos seus filhos, não será a polícia que terá”, frisou.

O deputado estadual, Sargento Isidório (PDT), argumentou que a violência vem da desconstrução geral da família. “Aquele que honra os pais tem longevidade de dias e jamais se voltará para o mundo do crime quando sua base familiar está bem formada”, comentou. Na ocasião, o deputado ainda esclareceu sobre o trabalho realizado pela Fundação Dr. Jesus, que abriga pessoas usuárias de substâncias psicoativas, no município de Candeias, e defendeu a criação do Ministério de Segurança Pública, o que disponibilizaria um investimento maior para os estados trabalharem no combate ao crime.

O Tenente Coronel Henrique Melo, comandante do 12° Batalhão da Polícia Militar, informou que este ano houve um aumento de casos de violência no município. Porém, em maio, ocorreu uma redução de 52%, segundo ele, um sinal positivo da realização de operações, reuniões e ações integradas entre as polícias.

O promotor de Justiça da área criminal, Adalto Araújo Júnior, citou ferramentas que poderiam dificultar a ação dos criminosos, como uma boa iluminação pública e ampliação do videomonitoramento. A volta da guarda municipal para atuar nas ruas de Camaçari também foi citada pelo promotor. “Todas essas ações podem gerar um reflexo direto no combate à violência”, comentou. Ele completou que é preciso uma prevenção social, proporcionando aos jovens acesso à cultura e a uma educação de qualidade.

A audiência foi aberta para que o público fizesse perguntas aos palestrantes. A guarda municipal, Rosilda Carrilho, cobrou a volta dos agentes para atuar nas ruas de Camaçari. A instituição foi extinta em 1997 e, desde então, 140 servidores têm atuado em outras funções do setor público. “Queremos voltar a atuar na função pela qual realizamos o concurso público em 1995. A Guarda Municipal tem a função de atuar na defesa social do indivíduo”, completou.

O vereador Júnior Borges (DEM) já solicitou, por algumas vezes, a reativação da guarda municipal. “É preciso que o Executivo encaminhe um projeto de Lei que crie e reative a atividade, com uma nova adequação. Esta Casa nunca fugiu de defender a volta da guarda municipal”, explicou o parlamentar.

Para o vereador Marcelino (PT), “a segurança pública é um tema muito complexo, por isso, a discussão entre o poder público e toda a comunidade necessita ser aprofundada”, disse. “Cabe às instituições, levar educação, lazer e cultura ao cidadão. A igreja também tem seu papel fundamental”, completou.

Foto: Heriks Trabuco


Ao final do evento, o vereador Oziel informou que todas as questões que foram discutidas em audiência serão encaminhadas para o Governo do Estado. As demandas de responsabilidade do município serão encaminhadas para o Executivo”, finalizou.  

Ascom/CMC

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