Arritmias cardíacas causam 320 mil mortes súbitas por ano; veja os sintomas

maio 22, 2017


Mais de 20 milhões de brasileiros sofrem algum tipo de arritmia cardíaca, doença responsável por mais de 320 mil mortes súbitas todos os anos no país, segundo dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac). Caracterizadas pela modificação do ritmo cardíaco, as arritmias cardíacas podem se manifestar como pulsação irregular, acelerada (taquicardia, quando o coração bate rápido demais) ou lentificada (bradicardia, quando as batidas são muito lentas).
Outro tipo de arritmia é a fibrilação atrial, que atinge principalmente pessoas idosas e é uma das grandes responsáveis pelo aumento de casos de acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. Apesar dos idosos pertencerem à faixa etária mais vulnerável, pessoas mais jovens também podem sofrer com esse tipo de alteração do ritmo cardíaco.
A arritmia cardíaca varia muito quanto a sua forma de apresentação e pode ocorrer de forma esporádica e isolada ou até de formas frequentes e complexas. Pode ser assintomática e benigna, não requerendo nenhum tratamento específico, ou causar sintomas variados, desde palpitações leves até a sua consequência mais temida, a morte súbita.
Qualquer pessoa está sujeita às arritmias cardíacas, independentemente da faixa etária, do sexo ou da condição social e econômica. Elas podem acometer inclusive recém-nascidos e atletas. A maior porcentagem de ocorrência está no grupo de pessoas que possuem doenças cardíacas ou entre os que já sofreram parada cardíaca, bem como naqueles que têm histórico familiar (pais, avós, tios, irmãos).

Sintomas - Os sintomas mais comuns são palpitações, desmaios, tonturas, confusão mental, fraqueza, pressão baixa e dor no peito. Sua pior consequência é a morte súbita. Entretanto, algumas arritmias cardíacas são assintomáticas, ou seja, não provocam nenhum sintoma. Pacientes que já apresentam histórico de problemas cardíacos como infarto, insuficiência cardíaca ou que já tenham passado por algum procedimento cirúrgico cardíaco tendem a apresentar um risco maior para a doença. “Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial”, alerta a arritmologista e cardiologista da Clínica ADS, Adriana Taboada.

Causas - As principais causas da doença são hipertensão, diabetes, colesterol alterado, tabagismo e sedentarismo. Distúrbios do sono como ronco e apneia obstrutiva também são fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Consumo de álcool e/ ou energéticos pode induzir a uma arritmia. “Os energéticos possuem cafeína. O consumo de pequenas doses de cafeína não causa arritmia, mas pode aumentar a frequência cardíaca em torno de 5 a 10 batimentos por minuto. A combinação de energéticos com o álcool pode potencializar o distúrbio”, detalha a especialista.
Outras causas mais raras são as genéticas. Algumas doenças hereditárias associadas a alterações moleculares nas células cardíacas estão relacionadas à incidência aumentada de arritmias e morte súbita em famílias específicas.

Prevenção - Para prevenir as arritmias cardíacas, é preciso adotar hábitos saudáveis como manter uma alimentação balanceada; não ingerir ou não se exceder no consumo de bebidas alcoólicas; não fumar; praticar atividades físicas com orientação de um especialista; dar atenção à saúde emocional (evitar estresse); consultar-se, pelo menos uma vez por ano, com um cardiologista para a realização de exames preventivos e prestar atenção aos sinais do coração: pulsações irregulares e batidas intensas.

Médica: Adriana Froés
Diagnóstico - O diagnóstico das arritmias cardíacas pode ser feito através do eletrocardiograma de repouso e do Holter 24h. “Em alguns casos, pode ser necessária a realização de outros exames, como o Holter de 7 dias ou os monitores de eventos (looper, monitor de eventos implantável). O teste ergométrico pode ajudar na identificação de arritmias associadas ao esforço”, detalhou Taboada.

Tratamento - O tratamento das arritmias cardíacas é bastante variável. Segundo a especialista da Clínica ADS, os casos benignos podem não requerer nenhum tratamento específico. Os casos mais graves ou sintomáticos podem ser controlados com uso de medicamentos ou tratados com intervenções médicas.

“Em certos casos , quando o risco é muito grande, pode ser necessário implantar um marca-passo com um desfibrilador interno acoplado. Esse equipamento detecta a arritmia enquanto o marca-passo libera o choque, salvando a vida do paciente”, explicou Adriana Taboada.
Quem determina o melhor tratamento para o paciente é o médico arritmologista. Os tipos de tratamentos são: medicamentoso, ablação por cateter ou implante de dispositivos cardíacos eletrônicos, como o marca-passo, cárdio desfibrilador implantável ou ressincronizador cardíaco.
O diagnóstico e tratamento adequados das arritmias cardíacas são fundamentais para a prevenção de suas complicações. AVC, insuficiência cardíaca e até mesmo a morte súbita podem ser prevenidas com o tratamento apropriado.
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