Uso frequente de analgésicos pode transformar dor de cabeça simples em crônica

abril 04, 2017


É quase impossível que alguém não tenha sofrido, ao menos uma vez na vida, com dores de cabeça. O que muitos não sabem é que a automedicação, tão comum em quem sente o sintoma, pode ser uma das causas da cronicidade da doença. De acordo com o neurologista Thiago Junqueira, é importante observar a periodicidade do sintoma. “Caso apareça por pelo menos 15 dias no mesmo mês, tendo continuidade por 90 dias ou mais, é preciso ficar atento à possibilidade de ser uma cefaleia crônica diária”, afirma.

Ainda de acordo com o especialista, a doença acomete principalmente as mulheres e pode ser desencadeada pelo uso abusivo de analgésicos, consumo exagerado de cafeína, bem como aparecer como sintoma da depressão, ansiedade, entre outros. O uso de bebidas alcoólicas também pode agravar as dores de cabeça.

Em geral, quatro doenças podem causar a cefaleia crônica diária: enxaqueca crônica, cefaleia tensional crônica, hemicrania contínua ou a cefaleia nova diária e persistente. Junqueira explica que a enxaqueca crônica é menos intensa do que a “comum”, porém não responde bem aos analgésicos, podendo, inclusive, piorar com o uso dos mesmos. Já a cefaleia tensional crônica aparece de forma constante, provocada por dores provenientes de tensão nos músculos da cabeça e da nuca. Juntamente com a enxaqueca, essas duas cefaleias representam as causas mais comuns de cefaleia crônica diária.

No caso da cefaleia nova diária e persistente, a característica principal é que ela surge já com alta frequência, não ocorrendo uma evolução gradual, como nas relatadas anteriormente. Com relação à hemicrania (metade do crânio), portanto, a dor ocorre apenas em uma parte do crânio e, geralmente, vem acompanhada de sintomas no mesmo lado como congestão nasal, vermelhidão ocular, queda palpebral, dentre outros. “Interessante que esta dor pode ser controlada com medicamentos como a indometacina, um anti-inflamatório de prescrição médica”, afirma o neurologista.

Por que tomar analgésico pode agravar a cefaleia crônica diária?

Mesmo nos dias atuais, com tantos recursos para eliminar os mais diversos tipos de dores, muitos pacientes com cefaleia crônica diária não procuram ajuda médica e, com isso, sofrem com as dores de cabeça, inclusive por tentar tratá-las de forma inadequada. “Com a facilidade de compra, o uso deliberado de analgésicos faz com que o portador da cefaleia crônica tenha uma significante perda de sua qualidade de vida. O uso de analgésicos, em mais de dois dias na semana, já seria capaz de tornar uma cefaleia ‘comum’ em crônica”, ressalta Thiago Junqueira.

Isso porque o organismo se acostuma rapidamente com o uso do medicamento analgésico, fazendo com que, com o tempo, perca seus próprios meios de regular a dor e, com isso, ela reapareça cada vez mais “resistente” e necessitando de mais medicação. É um ciclo viciante de dor.

Qual forma de tratamento?

A avaliação das dores de cabeça deve ser realizada preferencialmente por um neurologista especializado no assunto, que poderá indicar o tratamento correto, preventivo e eficaz contra esse mal. Especialistas nesta área podem ser encontrados no site da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Quando o paciente é diagnosticado com cefaleia crônica diária, uma das primeiras recomendações é parar de tomar os analgésicos, especialmente nos casos em que há abuso dessas medicações.

O especialista, então, receita um remédio próprio para tratar esse tipo de dor de cabeça, de acordo com o histórico de cada paciente. Essa medicação preventiva deve ser usada mesmo nos dias sem dor, e irá aliviar as crises e sua frequência. “O tratamento preventivo deve ser seguido diariamente, por certo período, independentemente da presença ou não da dor, justamente para evitar que ela apareça”, esclarece.

“Alternativas como acupuntura, prática de exercícios físicos, melhora nos hábitos alimentares e do padrão de sono a fim de promover a qualidade de vida, também ajudam a combater esse mal. Paralelamente, um diário onde se possa anotar e acompanhar não somente as crises de dor, mas o uso de analgésicos será de grande ajuda”, conclui o especialista.

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